17.11.18

Stay


E eu quero imenso ser quem tu mereces que eu seja mas eu não sei como te amar.
Porque eu olho para ti e sei que não te posso perder mas não sei como te agarrar. E tu dizes que só eu chega mas e se eu não estiver inteira, chega-te?
Porque eu olho para ti e sinto que não podes ficar para sempre neste impasse comigo mas não me consigo decidir. E tu dizes que todo o tempo do mundo para esperar por mim é pouco mas e se no fim esperares muito por tão pouco?
Porque eu olho para ti e sei que naquele momento eu quero-te mas no dia seguinte não nos quero. E tu dizes que te querer por um momento é a tua maior sorte mas e se eu te disser que fui o teu azar?


O passado retirou me a força que devia ter para lutar por nós e eu não sei onde encontrar o que me falta. Porque o que me roubaram, já não me devolvem e tu dizes que vais comigo a procura do que for preciso mas eu sei que procurar não chega. Que nem com toda a tua vontade e coragem unidas à tua determinação e paixão reconstroem o que se partiu. E eu perdi tanto quando me partiram...

Resta-me um pedido de desculpas por não me dar totalmente e irrevogavelmente a ti, por não puder ser tua. É que sabes, já não sei ser de ninguém...
Então: Desculpa. Desculpa por quereres desistir de mim e não conseguires, desculpa por cada toque meu ser uma esperança, por cada sorriso meu te fazer ver que vale a pena a tua auto-destruição, por cada olhar meu te fazer querer lutar pelo que não existe. Dentro de mim não há nada para te dar e eu tenho medo do dia em que percebas isso, do momento em que percebas que eu não sou os suficiente para nós.
Mas ainda assim peço-te para que não me deixes porque preciso de ti. Sei que é egoísta e cruel da minha parte. É um pedido desrespeitoso porque sei que neste momento não me consegues dizer que não enquanto te olho nos olhos e te peço para ficares, assim, sem mais nem menos, sem justificações ou argumentos, sem outras perguntas ou respostas. Não me consegues negar porque a simples junção das letras que faço para te pedir que fiques é demasiado para ti por ter sido eu que as proferi. Pedir-te que fiques é um ato de violência contra ti e contra mim própria mas ainda assim, fica o tempo que conseguires até eu ter coragem de te dizer para ires embora, até eu ter coragem de te libertar e deixar ser melhor junto de outra pessoa. Mas por agora:


Fica.

25.9.18

Apenas num sussurro

Foste importante, não como a maioria das pessoas que passam pela nossa vida, foste importante de uma forma diferente. Fizeste-me entender a forma e a cor do tempo, a forma como passa desencontrado connosco e a cor invisível que pode ter quando se toma por garantido. Fizeste-me entender o quão valiosa é uma amizade no meio de um namoro, onde parece que tudo se perde e tudo se confunde. Tornaste os abraços num abrigo e a minha casa no teu peito. Nem sempre sabias o dizer - mas quando sabias era sempre acertado - nem o que fazer mas hoje percebo como a falta do teu abraço me faz diferença, percebo o quanto um abraço pode salvar uma conversa sem palavras.

Errei muitas vezes contigo, hoje olho para trás e vejo que, apesar de nunca ter sido intencional, muitas vezes saíste magoado de algo que não devia magoar desta forma. Desculpa.

Mas também preciso de saber se alguma vez pensaste em me pedir desculpa, preciso de saber até que ponto tu sabes que também erraste, que não pensas que foi tudo uma culpa distribuída apenas pela minha parte. Preciso que entendas que não tinha outra opção para além de ir... Era a minha decisão e preciso de saber que a respeitaste. Que te rasguei a alma mas que te sobrou o coração, preciso de saber que apesar de partido, ainda bate por mim, que ainda te sou algo para além de nada. Preciso de saber que te doeu cada pedaço do corpo, cada músculo, cada osso. Que te arrancou os gritos, as palavras, os gestos, a coragem. Que a importância deste texto pode parecer nula aos olhos dos outros mas que nos teus, ele brilha. Que cada palavra minha te sangra, magoa, espezinha, chegando mesmo a torturar. Preciso de saber que as mãos não me tremem só a mim enquanto o escrevo mas te tremem a ti enquanto o lês. Que todo o teu corpo estremece como que se de um pedido de socorro se tratasse quando me lês. Preciso de saber que não sou eu apenas que estou despida nestas palavras, que não sou a única que deixa transparecer o que tu não queres que eu veja.
Eu não quero que grites o meu nome nas ruas, não quero que escrevas textos sobre o que fomos ou
que enuncies o nosso fim. Mas quero um pedido de desculpas por não me teres dado outra opção para além de ir, por teres rasgado a alma, partido o coração, magoado o corpo e arrancado um pedaço de mim.

Quero um pedido de desculpas em forma de sussurro, apenas para mim, daqueles em que se ouve o falhar da voz, o arranhar da garganta.
Nem que para isso me mintas vezes e vezes sem conta dizendo que doeu em cada pedaço teu ver-me ir embora, nem que me mintas dizendo que choraste dias e dias a fio até não haverem mais lágrimas dedicadas a mim, que cada dia a seguir à perda, te custou a abrir os olhos e levantar da cama. Mente-me as vezes que forem precisas até eu acreditar que foi amor. Preciso que entendas: eu não consigo segurar as memórias de um possível amor sozinha. Não me é permitido dizer que foi amor, se foi só da minha parte. Então mente, desenha nos lábios que me amaste, olha-me com saudades de um amor que ficou para trás e que não conseguimos salvar porque primeiro estávamos nós, porque eu e tu nunca deixamos de vir à frente deste suposto amor. E eu já não sei o que é amor, o que foi ou o que poderá ser. E ler isto em voz alta retira-me o fôlego, eu não consigo respirar, custa-me falar então por favor, faz como eu: sussurra.