12.7.18

Inteiros em Separado


Não quero saber quantos corações partiste antes de ter o meu porque partido já ele está. Não quero saber quantos pedaços meus tu tens guardados porque eu já não sou inteira. Não me interessa saber quantos beijos meus quiseste nem quantos sorrisos meus roubaste porque nenhum beijo ou sorriso meu vai voltar a ser igual. Não me interessa saber quantas vezes os meus olhos brilharam por tua causa porque hoje brilham de forma diferente. Acima de tudo, não quero saber de qualquer "amo-te" ou "desculpa" quando já não há nada para amar e nada para perdoar. Já não tenho nada nosso, no entanto tudo o que é teu ficou comigo. Não te darei outras mil segundas oportunidades através das tuas palavras porque nem elas as merecem. Não mereces que te oiça e não mereces ver-me, ou tocar-me ou dar-me um último beijo como todos os últimos que demos. Porque quando quis saber de tudo isto, tu não quiseste.

E hoje voltas quando sempre te juraste que não voltarias e hoje eu aceito-te quando sempre jurei que não te queria. Porque nós voltamos sempre ao ponto onde nos deixámos e criamos reticências, porque dizemos um complexo não e abanamos a cabeça num simples sim. Porque existem sempre outros amores na nossa vida mas no fim desses, é o nosso que perdura, é o nosso que se arrasta com o passar do tempo, é o nosso que nos transforma e leva de volta ao que éramos. Nós não resultamos juntos e muito menos em separado. Não damos certo, somos errados.

Só me queres quando os teus outros amores fracassam porque tu os quiseste perder e eu só te quero quando não te posso ter. Somos a forma mais bela de sabotagem da felicidade um do outro.

Mas hoje não, hoje digo-te que não, não te quero e não nos quero. Hoje tem de ser o fim de todos os nossos fins que me torturam e não me deixam ter um novo começo. Tem mesmo de ser o fim e por favor não me tentes fazer ficar porque eu fico, eu fico sempre que me pedes, sempre que me beijas no canto da boca e me puxas pela cintura. 


Porque eu fico sempre que sinto o teu cheiro num dia normal onde tu não estás. Porque eu fico sempre que vejo a tua silhueta noutro ser humano ou sempre que te sinto nas músicas que oiço. 
Aliás, tu sabes que eu fico sempre, por isso é que tu vens. O meu corpo denuncia-me quando te aproximas, cada célula de mim decide dançar ao toque da tua pele como se de música se tratasse. E o teu perfume é semelhante ao das flores que crias na minha mente, tudo isto no segundo em que me sorris e me atravessas como se fosses luz e eu completamente transparente sou tua de novo...


Mas hoje não, nenhuma palavra tua será viciante o suficiente para me fazer ficar porque não vou permitir que as digas. Hoje não vou olhar nesses olhos que me chamam e me querem, nem vou tocar na tua pele que arde como fogo quando eu sou gelo. Não te vou dar mais dos meus beijos que são veneno pois cegam-te para o que é real e te fazem confundir com um final onde ficamos juntos. Não nos vou dar mais oportunidades para nos destruirmos. 


Só por hoje, vamos ser inteiros.
Amanhã, logo vemos.

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