14.2.18

Eu não te cheguei.

Não tenho mais nada que te faça ficar se não eu e eu não te cheguei.


Assim que coloquei o meu coração à vista, esmagaste-o. Dizes que te custou mas quem parou de respirar fui eu, o peito que explodiu foi o meu e a possibilidade do adeus ficou nas minhas mãos abertas, a qualquer momento podias assaltar-me.
Deixar-te era lutar contra a maré mas tu ajudaste-me nessa luta. Tu tornaste o ter que olhar para a tua cara difícil, tornaste o som da tua voz ruidoso aos meus ouvidos, tornaste a tua pele um escudo que eu não sei quebrar e tornaste-me exausta. Deixaste as minhas lágrimas secarem na cara à medida que caiam e quando a minha ferida estava aberta, tu expuseste-a mais a ti, criaste uma pessoa para ti completamente nova na minha cabeça, deste-lhe vida e deixaste-a destruir-me.
As tuas promessas foram em vão e ainda assim eu ouvi-as com o coração.

O meu sentimento por ti não mudou, mas tu já não és tu. Não és a voz que eu ouvia antes de dormir, não és o sorriso da minha boca, não és o peito onde eu descanso. Os teus abraços já não são refugio mas sim um campo de batalha ao qual não sei como conseguir voltar. E eu quero voltar porque sei que há um pouco de nós que posso salvar, mas eu não sei a força que me resta para isso. Não sei se tu vais voltar a ser tu e se eu consigo voltar a ser eu. A confiança de que os teus beijos não serão tiros, que o teu toque não será bombas, que o teu olhar não irá espelhar o meu sangue não existe.


E eu sou tudo o que te podia fazer ficar e continua a não chegar.


Lisbon, October 2017

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