13.3.17

Punctuation: Question mark ?

Sou louca e difícil, nesta mistura sou loucamente difícil e dificilmente louca.

Sou difícil porque tanto quero como no segundo seguinte não, tanto quente tanto frio, tanto direita tanto esquerda, porque tenho um coração que tanto pára como recomeça. - E quem não tem medo de um coração que para e recomeça a qualquer momento? - E sou louca porque tenho imenso amor dentro de mim para dar, tenho amor a escorrer por todos os meus cantos e curvas. Loucamente difícil ou dificilmente louca porque a maior parte deste amor não está disponível para doação, está fechado a mil chaves e sinto que as perdi pelo caminho, as fechaduras estão enferrujadas do tempo que teima em passar.

Gosto da minha solidão, gosto de mim, do meu espaço, de estar comigo e tudo que vem para alterar a minha estabilidade, o meu equilíbrio, a minha rotina, a minha vida deixa-me confusa. Arrumei espaço nas 24 horas que me foram dadas para mim, não arranjei espaço para outro alguém. Se não multiplicam as horas, não podem multiplicar as pessoas... certo?
Tudo o que me altera neste momento, também me afasta e é completamente irracional ter alguém na minha vida que pense sequer em alterá-la, tenho plena noção de que isso não é algo que eu precise. Não agora.

Houve alturas em que senti falta de amor da tua parte e houve outras alturas em que senti falta de carinho da minha. Houve muitas faltas, e acrescentos também. Fomos um copo vazio e cheio até escorrer. Fomos uma balança completamente desequilibrada mas acertada com as nossas próprias medidas. Ninguém nos compreendia e confesso que por vezes me perdi na nossa explicação.
Ainda hoje não nos sei explicar, não nos sei descrever, não nos sei. Mas conheço-nos em separado, conheço-te ponto por ponto e conheço-me virgula por virgula. Conheço-nos em reticências com uma página, um capitulo quem sabe um livro inteiro bastante vago pela frente. E ainda assim apenas trocava o tempo que nos foi dado, não a quantidade de horas, dias, meses juntos mas a altura em que nos foi atribuído.


Mas este texto é sobre mim, ou o pouco que sei de mim, ou o que deveria ser de mim. Não é sobre ti, sobre nós, sobre amor ou outras coisas. É sobre mim cheia de todas essas coisas, sobre pedaços de mim que desconheço, outros que conheço tão bem. Pedaços que quero conhecer e alguns que não devia ter conhecido. É sobre mim com pedaços de ti, de nós, sobre mim com pedaços de perdas, sobre mim com pedaços em falta e outros que acrescentei por necessidade.
Os mais próximos conhecem a minha desconfiança, sabem que pouco me guio pelas palavras e por vezes exijo muito por atitudes e ações. Quão errada posso estar? Até que ponto querer muito, me vai levar a pouco?
Sei o que os outros querem para mim e o que eles acham que eu deveria querer, mas não sei se quero isso, não sei se quero o mesmo que os outros me querem.
Neste momento sinto tudo quando não queria sentir nada. E o pior é que não sei em que consiste este tudo. Por mais que queira gritar tudo o que tenho vindo a sentir não consigo, porque não encontro palavras para descrever. Encontro 713 palavras para um texto e no entanto o que sinto não tem língua, não tem tradução e não tem caracteres.
Não há definição no dicionário para o que sinto porque não existe uma palavra para descrever. São 00:03 da noite, tenho uma caneca de chá e um ponto de interrogação na cabeça. E o pior é que por momentos fui completamente contra a minha desconfiança e acreditei em ti. Se soubesses o quanto odeio não confiar nas pessoas e no entanto o quão arrependida estou de ter acreditado em ti talvez percebesses a nossa situação.

Porém, desde quando é que sou pessoa para ter um ponto de interrogação na cabeça? Eu sou exclamações ou pontos finais, eu sou virgulas ou reticências. Posso ter imensa pontuação dentro de mim mas isto "?" não, isto não sou eu. Mas, e se nunca passei de um ponto de interrogação? e se a minha vida se guia por este simples e essencial caractere da língua universal?


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