7.3.17

Olha para mim. Mas mais importante do que olhar, vê-me.


E um dia espero puder amar-te.

Serás sempre parte do sangue que me corre nas veias, parte da dor que tenho no peito, a parte de mim que falta. Deixas-te a tua marca da pior forma e todos os dias ela se faz sentir e sei que assim vai ser até ao fim dos meus dias ou para sempre.

Um dia espero puder amar-te como tu me amaste a mim.

As vezes falo com as paredes na esperança que me estejas a ouvir, escrevo aqui na esperança que assim consigas ler os meus pensamentos, olho-me ao espelho na esperança que de alguma forma me vejas como o teu reflexo e são muitas as vezes que te chamo e te pergunto como estás e se estás orgulhoso de mim.

Um dia espero uma segunda oportunidade para ti.

E não te consigo descrever o medo que tenho de que isto seja mentira, uma forma de te sentir presente completamente inventada pela minha cabeça. Que tu não me oiças, não me vejas, não me sintas. Eu não tive uma segunda oportunidade. Porque não merecemos uma segunda oportunidade? Porque é que a tua partida teve de ser algo tão definitivo e permanente? Porque é que quando olho para mim não te vejo ao meu lado? E quanto te falo não te oiço e quando pergunto não obtenho resposta?

Um dia espero uma segunda oportunidade para nós.

Não consigo descrever o quão difícil tocar neste teclado e escrever está a ser, cada palavra é dilacerante e cada pensamento é veneno. Cada texto sobre ti é sinónimo de lágrimas, tenho uma dor no corpo que de tão psicológica se torna física.
Houve noites em que chorei até adormecer, me contorci de tanta dor, momentos em que achei que nunca ia passar.
Houve noites em que não adormeci, em que o meu coração latejava e os olhos estavam cansados de lágrimas, as bochechas eram salgadas e o peito era uma ferida aberta. Em que dormir não parecia mais uma solução mas sim uma fuga.
Hoje a tua perda faz com que não sofra com outra, hoje nenhuma perda supera a forma como vivenciei e vivo a tua todos os dias.
Hoje o meu coração bate cuidadosamente pois foram várias as vezes em que esteve preso por um fio.
Hoje guardo comigo as partes boas da minha infância e as que não conto a ninguém.
Olho para trás e ainda sofro com o que sofri, olho para trás e vejo uma rapariga de 9 anos completamente partida aos bocados e choro por ela, choro por aquilo que ela teve que passar. Olho para ela e o meu corpo treme, a minha alma enfraquece e o meu peito arde pelas vezes em que chorar virou soluços e soluços viraram gritos e gritos se tornaram silêncios ensurdecedores.
Hoje olho para trás e vejo uma miúda que chora calada, que sofre para dentro e que carrega o mundo as costas sem puder dizer uma palavra. Uma criança que se afogou nas lágrimas que engoliu e que tantas vezes desejou que esta metáfora fosse real. Vejo uma rapariga que olha em frente e não me vê e é aqui que tento correr para lhe mostrar que estou ali, que estou bem e que ela vai chegar até mim, até aqui. Mas ela continua sem me ver, não tem esperança alguma no futuro, só consegue ver o passado.

Hoje estou aqui, ela finalmente me viu.

Lá fora está um dia bonito, está sol, o céu está azul, as árvores estão verdes, as crianças estão felizes e é um dia absolutamente fantástico e neste momento o meu único desejo é que estejas onde estiveres, esse lugar seja infinitas vezes melhor do que este, porque é lá que conto que seja o nosso próximo encontro. E espero que demore, mas que seja a nossa segunda oportunidade.




When I run out of air to breathe
It's your ghost I see
I'll be thinking about you, about you

While I reached out for your hand
When the walls were caving in
When I see you on the other side
We can try all over again



'Cause it was almost love




Beatriz Bernardo, 07 de Março de 2017

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