21.10.16

Four & Zayla

Há pessoas boas.
Esta é a conclusão que tiro da minha infância.
Há pessoas boas, pessoas com coração. 
Agora, matemática: Se tivermos 3 pessoas más na nossa vida e 7 boas, a quantas vamos dar importância? Exatamente, às 3 do ínicio.
Esquecemo-nos totalmente das pessoas bondosas, e o que fizeram por nós, o que ainda fazem e o que irão fazer. Esquecemo-nos daquele coração que continua a bater por nós todos os dias e ao nosso lado a cada segundo. Esquecemo-nos desses para recordar-mos os que nos fizeram mal por uma hora. 
Há pessoas boas e eu tive imensas na minha vida até hoje e por isso estou eternamente grata.
Mas também tive imensas pessoas más, imensas pessoas que cometeram erros comigo e brincaram com o meu passado e hoje sou o que sou devido a essas pessoas também.

Por vezes não gosto de certas atitudes e palavras que tenho ou digo. Deixo as pessoas antes que elas me deixem a mim, sou eu que vou embora na esperança que a porta não se feche na minha cara, mesmo sem haver razões para tal. Disparo a bala antes de levar com o tiro e por vezes a outra pessoa não tem uma arma consigo - e saliento que vou totalmente pronta para combates frontais, tenho uma armadura, um muro que a minha mente constrói e o meu coração não tem capacidade de derrubar - a outra pessoa não leva defesas porque não há aviso de batalha, a única coisa que pode levar é a bandeira branca numa mão e o olhar que tantas vezes desejei não ter visto. Confio pouco nos outros, ou mesmo nada e disso não me orgulho.
Depois existem os erros do passado que formaram uma bola de neve, que embrulharam a minha inocência, as minhas esperanças, o meu otimismo. Outras atitudes menos boas advém deste passado tumultuoso, certas ações e pensamentos que dão comigo em doida e por vezes dou um tiro no meu próprio pé na esperança que isto acabe. Só confio em mim mesma e muitas vezes falho comigo própria o que torna tudo isto bastante assustador.
Tenho o coração pesado e a culpa é tua. Carrego armas nos bolsos em vez de rebuçados e nunca me senti tão frágil como agora. Coloquei o meu futuro nas tuas mãos e tu largaste-o para puderes ir embora e mesmo que não tenha sido tua a decisão, a minha vida ficou bastante afetada por isso. Expuseste-me ao desassossego que nenhuma criança deve sofrer, deste-me de mão beijada à vida que estava desejosa de me ter e nunca me preparaste para as lutas que eu ia ter de superar e apesar de hoje estar inteira devido à força que tudo isto me deu, houve muitas alturas em que me desmanchei por tua causa e sofri todo o tempo que foi necessário para juntar pedacinho por pedacinho. Não foi fácil e tu sabes.


Viste as minhas lágrimas misturarem-se com a água do banho, viste-me despida a escorrer pelo ralo da banheira, viste o meu carácter a mudar, a minha frieza a vestir-me o corpo todo, despediste-te da minha alma e mesmo assim eu estou aqui, a escrever para ti. Acho que a minha escolha é que sejas sempre importante porque como disse, a decisão não foi tua.

Lisbon, October 2016

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