27.6.16

Three & Zayla

Desde à uns meses para cá que tenho tido medo de ser imune a sentimentos mas tu apareceste e fizeste o meu coração estremecer um bocadinho, destruíste um pouco da muralha que o meu coração sem qualquer apoio do cérebro criou.
E foi aí que por pequenos momentos eu mudei o meu rumo, cortei caminhos para estar um pouco mais contigo, segui certas estradas para te puder ver e até falei de coisas insignificantes só para ouvir a tua voz um pouco mais, coloquei o orgulho de lado - e toda a gente sabe o quão orgulhosa eu sou - e meti-me com o teu cabelo, com a tua roupa e depois contigo.
Desisti.
Desisti porque de seguida veio a verdade, tu não mudaste nada, continuaste a ser tu próprio, fiel ao que sempre foste. Os teus rumos mantiveram-se, os caminhos eram os mesmos, se as tuas estradas não te levavam a mim, tu continuavas a segui-las sem qualquer intenção de fazer o contrário e a tua voz não se modificava nem um pouco por ser eu quem a estava a ouvir e eu desisti.
Desisti por um conjunto de razões inevitáveis que não vale a pena começar a citá-las aqui mas a verdade é que estive perto de não o fazer. Quando vem um zunzum de um amigo a dizer 'acho que também está interessado em ti' ou 'ele foi falar contigo, certo?' e quando queremos que algo aconteça, parece que o universo inteiro conspira a nosso favor, sentimos que 'vá lá, talvez o cupido não falhou desta vez', parecia que cada palavra dirigida por ti a mim era um interesse inexistente, cada aproximação era um romance na minha cabeça, tudo coisas da nossa cabeça.

Não estive apaixonada nem nada que se pareça, não sofri, não chorei. Simplesmente não vi interesse do teu lado e desisti. 
No lugar do interesse estava outra rapariga... Alguém por quem tu modificavas rumos, estradas, caminhos e vozes. Mais uma vez afirmo que não sofri e não chorei apenas desisti.

Eu achei que tinha parado e tu fizeste me ver que eu segui em frente durante este tempo todo, sozinha, por mim e agora eu posso dizer que o passado está onde pertence e posso dizê-lo graças a ti.

Fizeste o meu coração estremecer quando achei que ele estava tão afogado em mim que nada sentia e por isso obrigada.

Lisbon, June 2016

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