11.5.16

Two & Zayla

Já passou um tempo. E se antes eu queria que passasse agora eu só quero que pare.
Quis que o tempo passasse porque com ele passava a dor. Dizem que o tempo cura tudo, leva tristezas e confirmo, é verdade. Mas de mim levou mais do que dores, está a levar as lembranças com ele.
Tu não estás e o que sobra de ti está a ir embora. 
Já não reconheço o teu cheiro, confundo a tua forma com pessoas alheias, já não me lembro da maneira de rires, do sabor do teu beijo. Não me lembro do que fazíamos o dia todo, nem como 24 horas nunca eram suficientes. Recordo-me que as tuas mãos eram frias, mas não sei o quão quente era o teu peito. Recordo-me de certos momentos, vagos, sem ligação alguma.
E tu sabes a quantidade de medo que cabe dentro de mim, sabes o quão pequena eu sou quando se trata de medos e receios e neste momento tenho receio de te estar a esquecer por completo.
Sinto que estou a perder a maneira como me fazias sentir.

Pareço confusa?

Eu não estou confusa. Tenho é milhões de memórias nossas repartidas por vários minutos do meu dia, memórias completamente dispares e quando aparecem, esteja eu onde estiver, na rua, no autocarro, em casa, no chuveiro, elas fazem-se sentir, elas fazem-me demonstrar sentimentos bons e menos bons - a maior parte são sorrisos, tenho que te agradecer por isso, mas ficará para outro texto.

O nosso amor foi um relógio que parou e nós continuamos sem ele até que os ponteiros parados nos impediram de continuar.


Lisbon, May 2016

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