22.2.16

One & Zayla

Ninguém te vai magoar mais do que a própria vida.

Esta foi a conclusão que hoje, o destino - ou pura coincidência - criou. Quando achamos que já chegámos ao fundo, descobrimos que sempre existe mais um degrau para descer, não tem como acabar. E toda a gente sabe que é muito mais fácil descer do que subir. Subir rouba força, fôlego, leva toda a esperança e coragem.

Desde que acordamos até ao deitar subimos cerca de 5 degraus - uma média um pouco absurda e sem significado algum, mas é para provar que o pouco pode valer muito - e quando menos esperamos a vida empurra-nos 3 para baixo e dá uma puta vontade de desistir, sentar na berma da estrada, fazer birra, bater o pé, olhar para o céu perguntar o que é que fizemos a alguém na terra. Depois concluímos que é a vida a provar que pode ser ainda mais cabra e que havemos de aprender a mesma lição de mil dores diferentes.
Uns acreditam que é a vida a fazer das suas, outros acreditam que é o destino a levar-nos a algum lugar, outros acreditam em Deus, ou em diversos Deuses. Não importa no que acreditamos, tudo isto não passam de crenças às quais nos agarramos pois não temos a mínima noção de como será a vida e com certeza não queremos deixá-la à mercê das nossas próprias mãos. Precisamos de acreditar que alguém nos encaminha, a culpa não pode ser deveras nossa se algo corre mal. E vamos acreditar no quê se não podemos acreditar em nós?

Ninguém te vai magoar mais do que a própria vida, ou o Destino ou os Deuses ou tu próprio.

E hoje depois de subir uns degraus, tropecei. E desta vez não foi só culpa do destino. Tropecei nos meus próprios pés. E no momento em que embati no chão o meu coração não parou, acelerou. Bateu tão depressa que por pequenos segundos acreditei que me ia rasgar o peito e seguir a sua vida sem mim - Acho que ele está farto de descer degraus. - E com medo de o perder levantei-me logo a seguir, subi mais degraus do que os que desci e ele voltou ao lugar, não desistiu de mim e vitoriei.

Ninguém te vai magoar mais do que a própria vida e por isso:
Merda, agora só me resta esperar o que é que a vida poderá estar a preparar para mim, Vendo bem: desta vez passei-lhe a perna e quem caiu foi ela.

Lisbon, 2016

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