9.1.16

Continuamos a procurar ou começamos a encontrar?

Tínhamos tudo para dar certo e mesmo assim errámos.
Discutimos.
E eu sei o que fazes no fim de cada discussão que temos.
Eu sei o que estás a fazer. Eu sei o que andas a tentar fazer. Tu andas à minha procura. Procuras-me em todos os lugares onde costumávamos estar, procuras-me em todas as novas pessoas que conheces. Andas na demanda do meu cheiro, nelas. Procuras nelas a minha mania de te irritar, o meu jeito de andar, os meus ciúmes, o meu cabelo, a forma de rir, os meus lábios, as minhas coxas, o meu umbigo. Procuras-me toda e não achas nada. Por vezes quase que chega a ser parecida comigo mas, por um pormenor qualquer que aparece para te estragar o dia, ela não o é. Quase que chega a ser eu, mas não é. Não é melhor nem pior, pensas tu. Mas... não sou eu.
Eu entendo porque o estás a fazer: Saudade.
Eu sei que tens saudades, eu também tenho.
Sei que te irrita a minha mania de te obrigar a estudar - ou tentar obrigar - mas agora sentes falta disso. E se outra pessoa o fizer ... bem, vai-te ser indiferente.
Sei que odeias a minha indecisão quando estou a comprar alguma coisa e se queres saber, continuo sempre confusa no ato da compra. Sabes como sou, vejo a mesma coisa 3 mil vezes, comparo-a a outra, outras tantas 6 mil vezes e no fim não compro nenhuma.
Discutimos.
Sei que sentes a minha falta porque eu sinto a tua. Mas também sei que isso não muda nada neste momento.
Tu procuras-me nelas sem esperanças. No inicio da tua procura, já sabes que não são eu, só pelo primeiro 'Olá'. Oh Deus, tu sabes que não é de todo o meu 'Olá'.
O sorriso delas não é imperfeitamente perfeito para ti como o meu. O salgado das lágrimas delas não é tão doce como o das minhas. E tu já provaste as minhas lágrimas, já provaste a minha boca, o meu feitio agridoce. Eu já provei o frio das tuas mãos, o teu mau feitio logo de manhã, impossível para qualquer uma que não seja eu aturar.
O que tu procuras não é o que encontras porque o que eu encontro também não és tu. Eu quase que te encontro, mas falta esse quase. Porque é que um quase de ti é um tudo para mim ?
Tu sabes que me procuras como eu sei que não te encontro.

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