22.6.14

Dark Eye, Error, How to Breathe

Tenho passado a maior parte destes últimos dias pensando no que escrever para os meus raros e especiais leitores. Algo que eu queira escrever, algo que eles queiram ler.
Dizem por esses cantos do mundo que os grandes textos provém de horas ilimitadas e corações gastos. Lágrimas vomitadas e pensamentos dolorosos. Mas essa parte da minha vida já tinha passado, agora eu estava numa "montanha russa que só subia", de vez em quando haviam paragens na minha carruagem, mas não era nada que eu não remendasse.
Ultimamente não tenho escrito porque excepcionalmente eu estou feliz, tenho razões para dizer que no geral eu estou contente com a vida que levo, tirando certas injustiças e arrependimentos que vivo no dia a dia rodeando sempre o mesmo motivo.
Confiar nos mais próximos tem sido uma tarefa complicada visto que não sei o que é verdade e o que é mentira mas esforço-me por não julgar ninguém.
De dia, manter os olhos fechados é uma opção, mas as nossas necessidades levam-nos a ter que abri-los. Na hora de dormir temos que os fechar para descansar o facto de os ter-mos abertos todo o santo dia.
Mas existem pessoas por aí que andam com as pálpebras juntas toda a sua vida, humanos que preferem ver a escuridão do que a luz. Masoquistas? Não, a dor é outra. É a dor do medo, têm medo do que poderão encontrar caso decidam abrir os olhos e preferem continuar enganadas. Não podemos obrigar ninguém a abrir os olhos para a vida. Mas podemos nós ajudar?
Não esquecerei nunca o quanto custa abrir os olhos, o quanto custa acordar. É preciso uma força incrivelmente esgotável. Mas no final é uma sensação fantástica, é uma liberdade necessitada à muito tempo. A luz faz-nos bem apesar de por vezes estarmos a mergulhar em depressões terríveis, apesar de, por vezes, não queremos a ajuda do sol e preferimos a da lua que provém exactamente do mesmo sítio.
É complicado entender a mente humana, é complicado entender que a dor física comparada com a dor psicológica é menos dolorosa, por acabar nos instantes em que começa, já a psicológica dura, quem sabe, uma vida inteira. Uma vida inteira desperdiçada e consumida pelos erros cometidos.
Mais esgotante do que ter uma dor física, era ter alguém próximo com uma dor psicológica e sem saber o que fazer. Não ter como ajudar esse alguém, não conseguir abrir os olhos para a luz que o mundo poderia oferecer.
E foi ai que percebi que o vilão poderia ser o próprio herói. Quem me era próximo e se auto-mutilava, era o próprio vilão da dor física, e o único e existente herói para acabar com a dor psicológica que, queiramos quer não, condicionava toda a dor restante.
Apenas o vilão poderia perceber que a escuridão não era tudo o que existia, e poderia ver a luz tornando-se assim no herói, impedindo o final da história que seria a sua morte evitável e complexa.
Eu queria ajudar a ser o herói mas nada do que faça pode ajudar a minha grande e insubstituível amiga, apenas ela se pode salvar a si própria.

Se te acontecesse alguma coisa, eu nunca me perdoaria, amo-te imenso Jay. 


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