6.8.13

Perfeito Desconhecido - XVII

Acordei e, à minha volta, existiam imensas pessoas a correr de um lado para o outro de bata branca. Na cara deles via-se o desespero e o interesse pelo assunto do qual se tratava e que eu não sabia qual era.
A imagem visível na minha mente não era muito focada, ainda assim conseguia ver os meus pais no meu sonho. Eu queria que fosse um sonho, pois as sobrancelhas da minha mãe faziam um arco de preocupação que, pelo consequente, contagiavam toda aquela sala. Um pouco mais para o lado esquerdo estava o Tiago sentado, com as mãos na cabeça virada para baixo. Gostava que o Tiago fosse meu irmão, para puder estar com ele sempre, sem sentir a culpa de que o usara e uso para meu próprio bem.
O senhor alto de cabelos grisalhos disse umas quantas palavras desconhecidas no meu vocabulário. Nisto tudo a minha mãe sentou-se na cadeira o pé do Tiago e chorou, o meu pai abraçou-a e derramou uma lágrima em conjunto com ela. Eu queria levantar-me para ir abraça-la e saber o que se passava, odiava ver a minha mãe chorar, no entanto, sentia tanta dor no meu peito, tinha dificuldade em respirar e senti-me a morrer. O Tiago levantou-se aos berros, gritava com o senhor como se a culpa de algo fosse dele e quando lhe vi a cara ele estava encarnado e vomitava raiva pelos olhos.
Aproximou-se de mim e gritou.


- NÃO DESISTAS! LUTA PELA TUA VIDA! - Rapidamente o sonho se tornou num pesadelo bem real. Eu estava no hospital e a minha família estava a sofrer. O Tiago pegou-me na mão e disse ao meu ouvido baixinho. - Por favor, fica por mim. Eu amo-te como nunca amei ninguém. Por favor.

Tossi água e a máquina começou a apitar com mais força e mais alto, o meu coração estava novamente a bater como borboletas a voar. Deus tinha-me oferecido outra oportunidade. A minha mãe abraçou-me e juntamente com o meu pai choraram de felicidade. O Tiago ficou paralisado e esboçou um sorriso.

- Vamos diagnosticar o que aconteceu, mas provavelmente a água toda que que se acumulou nos pulmões foi cuspida e deu oportunidade ao ar de entrar e conseguir realizar a respiração mais profunda. - Disse o médico, apesar de ninguém ter dado ouvidos a tal conversa. - Ela vai precisar de ficar de baixa, precisamos de ter a certeza que está tudo bem. Tenho que pedir que saiam pois ela precisa de descansar.


A minha mãe abraçou-me levemente com medo que eu me partisse aos bocadinhos, o meu pai deu-me um beijo na testa e o Tiago deu-me um leve e quente beijo nos meus lábios frios, roxos e mortos.
O meu coração aqueceu, o meu sangue correu pelas minhas veias mais fluentemente e senti-me viva de novo.


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