24.12.12

The Diary Of a Childhood - Christmas

Querida Inês,
Vim desejar-te um Feliz Natal, não que aprecie em especial a época. Sempre me relembrou a falta de algo - ou alguém - importante. Mas não deixa de ser uma data que me agrade, junto me com a minha família que me faz esquecer os problemas, vejo e revejo pessoas de há muito tempo, coloco sorrisos na cara e o meu coração vazio preenche-se. Desde o ano passado que o Natal perdeu a sua qualidade ou talvez eu tenha crescido. Deixou de existir efeitos na rua por falta de dinheiro. Pouco frio faz nesta estação. Nunca mais nevou faz agora uns 4 ou 5 anos. O que também perdeu qualidade foi a minha família, já ninguém faz árvore de natal, já ninguém faz presépio. Felizmente ainda se compram prendas, mas não duvide que acabe. Lembro me quando a minha mãe me pegava ao colo e eu colocava a estrela no topo da árvore. Agora sei que ninguém está feliz com a vida que tem. A minha avó só quer saber de bens materiais, tal como o meu irmão. A minha mãe está frustrada por não ter dado o carinho e amor que sempre nos quis dar - não a culpo, ela também não o recebeu. E eu sinto que sou um peso na vida de todos eles, além de estar cada vez mais gorda. Não gosto de mim. Em minha casa todos os dias há motivo de discussão e eu não choro, porque não vale a pena. Ninguém tem orgulho em mim, nem eu. Tenho falta de carinho, o ultimo abraço que recebi foi da minha avó paterna hoje. Este é o primeiro Natal do Bartolomeu connosco, a minha mãe não me deixa levá-lo para casa dos meus primos, ele vai passar o Natal em casa sozinho, odeio isto, eu gosto dele. Mas não podia de qualquer maneira ir connosco. A minha tia tem lá outros gatos e o meu Bartinho rosna para todos. É ciumento, como eu. Falta o meu pai e o meu avó neste Natal, como nos outros todos, mas farei como se fosse o melhor, como tento todos os Natais. Esqueci-me do Merry no titulo. Espero que recebas tudo de bom, no primeiro Natal em que te encontrei e se não te escrever até lá, Bom Ano de 2013 que eu também vou precisar.
Da tua, Beatriz.
p.s.: fiquei feliz pelo mundo não ter acabado, preciso de uma hipótese de ser feliz. Tenho medo de não conseguir dar aos meus filhos o que sempre quis - amor - mas as famílias felizes são aquelas que, entre eles, não se conhecem.

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