13.8.12

The Diary Of a Childhood

Querida Inês,
Não aconteceu muito desde a última carta escrita para ti. cortei o cabelo um pouco abaixo dos ombros e apesar de ter sido escolha minha, custou-me, foi uma mudança em mim. A Joana diz que fiz bem porque "no Verão o cabelo cresce mais rápido" diz ela. Não me importa. Não fazia cá falta.
França é outro mundo. As pessoas são maravilhosas e os sítios são fantásticos. Cada pormenor é diferente e interessante.
A cada dia que passa, estou cada vez mais farta. De mim e dos outros. Descobri que, para além, de nunca passar da criança enfadonha que fui, agora tornei-me egoísta por natureza. Não me importa. Só aprende-mos com a dor de uma cicatriz e as pessoas à minha volta estão a aprender com elas e eu também.
Ainda não me conformei com a marca, mas hei-de me acostumar como o fiz com o resto. Acostumei-me e deixei de lado.
Gostava de te puder contar mais coisas a meu respeito, milhões e milhões a acontecer a cada minuto e eu sentada e calada no canto do meu quarto a escrever isto, sem me levantar nem lutar por nada. Ninguém pode saber delas, ninguém sabe.

Da tua, Beatriz.

Sem comentários:

Enviar um comentário