21.6.12

The Diary Of a Childhood



Querida Inês,
Quando foste embora, prometi a mim mesma que ninguém iria ocupar o teu lugar. Ocuparam o nome, mas nunca o teu lugar. Mas qual o objectivo ? Estamos sozinhos, tenhamos os amigos que tenhamos, a família que tenhamos. E sozinhos ou não temos de seguir em frente. Amigos verdadeiros é o quê ? quem te apoia quando precisas ? existem ? há sempre alguma ocasião em que eles não estiveram lá quando mais precisamos. Talvez eles existam mas não estejam destinados a ficar connosco para sempre, como tu. Estamos todos sozinhos e por isso, estamos todos juntos.
Não irei escrever muitas mais cartas para ti, quando precisar mesmo de desabafar, prometo que, eu te escreverei. As saudades começam a diminuir, mas nunca desaparecem. Sei que nestes últimos dias não escrevi, não por falta de motivos, porque acredita que esses não faltaram. Mas achei que qualquer coisa que escreve-se iria ser embaraçosa. Há muita gente que não me compreenderia e com certeza iria passar por tonta ou algo do género. Vês ? tu irias chorar comigo depois de te contar e tenho quase a certeza que se contasse a outra amiga ou outro amigo, já não iriam sequer se importar. Eu não os culpo, no lugar deles faria o mesmo. Não dá para sentir, nem sequer imaginar a dor que eu possa estar a sentir. Eles iriam dizer que tudo ficaria bem, mas eles nem tinham certeza disso. Mentiriam por não saber a verdade ou para me consolar. Espero que eles nunca sintam o que eu sinto, que nunca vejam o que eu vejo, que nunca oiçam o que eu oiço e nem nunca passem por o que eu passei ou estou a passar. E que se por acaso o fizerem, tenham a coragem para contar a alguém e para pedirem ajuda. Eu não tenho coragem, porque sei que ninguém iria ajudar. Já disse que iria desistir mas pensei melhor e sabes porquê ? porque quero estar cá no futuro, porque tenho um objetivo. Encontrar-te e quando o fizer ... quando o fizer logo verei.
Não te esqueças:
Sinto a tua falta, talvez só hoje, talvez só amanhã, talvez até sempre, fica bem meu amor.


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