10.6.12

The Diary Of a Childhood


Querida Inês,
Acabei de ler o meu livro. Gostei imenso, fez-me relembrar-te a 100 por cento. "Acho que não se faz amizades tão perfeitas como quando somos crianças". É verdade. A autora tem razão, nunca chegam a ser importantes o suficiente.
No dia 16 de Julho de 2010 chovia imenso, mesmo sendo verão. Mas no dia seguinte não, e então, eu, saí de casa por volta das 16 horas, com uma blusa branca e uns calções de ganga claros. Na minha estrada, poucos carros passavam, um em cada meia hora provavelmente. Atravessei o passeio cinzento e fui até à estrada com pocinhas da noite anterior. Coloquei a mão no chão e o alcatrão estava quente, bem quente graças ao calor da tarde. Tirei os chinelos que tinha nos pés do Snoopy e pus os pés dentro das poças de água. Aquela água quente sabia bem, sabia tão bem e aquecia o meu corpo todo e queimava as saudades. De seguida deitei-me na estrada de braços abertos e assustada com os carros, assustada que aparece-se algum de surpresa. O céu estava azul, com umas nuvens, mas ainda assim estava agradável. O ar era abafado como um forno acabado de ligar e o mar estava calmamente feliz. E de repente um flash apareceu, de quando íamos ambas entrar em férias e era o último dia de aulas, deitámo-nos no alcatrão quente da nossa escola e esperamos a tua mãe, combinamos que ia jantar a tua casa nesse dia, e esperamos as duas, eu tinha vestido uma blusa rosa e um casaco branco e tu um vestido branco, sei porque nos tiraram uma fotografia que a minha mãe guardou, e lá estava-mos ambas deitadas de mãos dadas. Acho que nunca perceberam porque gostavas tanto de mim, afinal, sempre fui um "bónus" como a minha professora de matemática diz, uma coisa indesejável que fazia as pessoas se arrependerem dos erros, sempre fui algo que obrigava as pessoas a pagar pelos seus pecados. Para ti não era um bónus, não, nunca fui vista dessa maneira. Era algo mais, era a tua melhor amiga. A tua mãe chegou e gritou "meninas, tão a sujar-se todas aí, ainda por cima estão de branco" e deu-nos a mão e tu disseste "eu não me importo e a Bia também não, senão ela dizia mãe". Admirava essa tua maneira, essa maneira de nada te importar e o teu sorriso sempre presente, essa forma de dares a volta a qualquer pessoa. E esta memória estava aqui escondida havia 6 anos desde tal. Acordei do flash pelo apito de um carro preto cheio de pressa, dei um salto e cheguei a casa a rir tanto que a minha avó disse que estava maluca, na brincadeira. Éramos tão felizes lembras-te ? sem uma única preocupação, apenas de quando nos íamos ver e brincar outra vez. Essa era a nossa maior preocupação e o nosso maior medo, medo de nunca mais acontecer.
Não te esqueças:
Sinto a tua falta, talvez só hoje, talvez só amanhã, talvez até sempre, fica bem meu anjo branco.

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