29.3.12

Mas uma vez escrito e lido, jamais o irei esquecer.

a minha mente obrigava o meu coração a silenciar aqueles gritos de saudade. aqueles gritos mais acentuados que eu própria. aqueles gritos que eu não conseguia dominar. engoli o choro por saber que era mais forte que ele. mas não me consegui controlar, dei por mim já a gritar sozinha, naquele canto escuro onde sabia que ninguém me ouviria. ouvi o doce toque do piano e as suas teclas carregadas. vi a madeira do chão manchada de sangue já seco e uma lágrima como se acabada de cair. dei por um olhar pousado em mim e quando me virei, do bocadinho da janela que estava aberta um fio de sol encadeou os meu olhos. apenas me apercebi de uma sombra muito rápida. coloquei a mão a fazer de sombra para os meus olhos e não vi nada nem ninguém. quem seria ?
escrevi para ti e sobre ti. é. milhares e milhares de páginas. sempre com a mesma capa. tentei chegar ao fim, mas não consegui. sei-o mas é demasiado doloroso escrevê-lo. talvez eu apenas não queira acreditar que ele é real, talvez devesse coloca-lo como a última página e não como a do meio, talvez não o devesse colocar como uma fase. deveria deitar tudo fora, mas uma vez escrito e lido, jamais o irei esquecer.
dei por mim e apercebi-me que sou substituível. percebi também que qualquer coisa que faça está ligada às nossas lembranças que me corroem a onde quer que eu vá.


de quem seria aquela sobra ? talvez de alguém que também já esteve naquele canto escuro e não conseguiu sair de lá. ou talvez alguém que me queira dar qualquer tipo de aviso. ou só simplesmente uma sombra imaginária. talvez.

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