28.5.18

Manias

Novembro, 2017

E se eu não conseguir largar essa tua mania de me fazeres feliz?
Porque a verdade é que tu já me soltaste e eu já nos larguei mas ainda me sinto presa às nossas memórias.
E que mania minha é a tua favorita? Será a forma maneira constante de mexer no cabelo, o sorriso demasiado aberto, as lágrimas sempre transparentes, o riso um pouco descontrolado, o molde da minha cintura ou mesmo os meus dilemas sempre tão dramáticos?
E que mania minha é que achas que não vais conseguir largar? O que achas que vais procurar nos outros corpos e nas outras almas?
Será que consegues largar o pensamento de como te mordia o lábio inferior? De como te ligava só para dizer que sentia a tua falta? E que me dizes das discussões porque eu era teimosa ou tinha razão? E das minhas roupas pelo chão, como esqueceste essa recordação?


Nunca soube muito bem como ir e nunca soube de todo como ficar. E o intermédio foi talvez a pior escolha.
Não te soube amar e desculpa por isso. Achei que estava a fazer as escolhas
mais acertadas quando na verdade eram erros atrás de erros. Hoje olho para trás e admiro-te por teres ficado nas condições que estávamos. Eram fracas condições e uma pessoa tão forte junto delas.
Não foste perfeito de todo, mas soubeste ficar quando eu queria ir embora. Soubeste fazer-me ficar e esse foi o teu pior erro... A partir do momento em que temos de convencer alguém a ficar é porque estamos a implorar por um amor que não existe. E admito que não tinha amor para te servir. Acho que foi doloroso para ambos porque sabíamos a verdade e escolhemos ignorar.

E se eu não conseguir largar essa tua mania de me amares?
Porque foste sempre tão certo em tudo o que fizeste por mim. E eu sempre tão errada no que fiz por ti.
E que mania minha foi a tua favorita? Que mania minha tentas ignorar hoje mas acabas sempre por te lembrar? Será a minha forma de escrever, o som das palavras ditas? ou foi o meu olhar que tanto ou pouco brilhou? Será a forma do meu abraço ou o sabor do meu beijo? e sobre a minha liberdade que sempre quiseste prender, o que tens a dizer?


Nem mil e um desejos me teriam feito ficar e lamento por isso. Lamento pelas vezes que olhaste para o céu e desejaste algo tão incansável para ti, como eu.
Sei que sabes que não importa a quantidade de estrelas cadentes que passem no céu, ou a quantidade de moedas que atiremos para a fonte de Trevi ou mesmo quantas figas façamos para que dê certo, quando o coração não estremece, as pernas não tremem, o peito não fica um pouco mais apertado e a voz não tem que fazer um esforço enorme para sair, é porque não é o amor que tem que ser. E nós não fomos o que tínhamos que ser.

14.2.18

Eu não te cheguei.

Não tenho mais nada que te faça ficar se não eu e eu não te cheguei.


Assim que coloquei o meu coração à vista, esmagaste-o. Dizes que te custou mas quem parou de respirar fui eu, o peito que explodiu foi o meu e a possibilidade do adeus ficou nas minhas mãos abertas, a qualquer momento podias assaltar-me.
Deixar-te era lutar contra a maré mas tu ajudaste-me nessa luta. Tu tornaste o ter que olhar para a tua cara difícil, tornaste o som da tua voz ruidoso aos meus ouvidos, tornaste a tua pele um escudo que eu não sei quebrar e tornaste-me exausta. Deixaste as minhas lágrimas secarem na cara à medida que caiam e quando a minha ferida estava aberta, tu expuseste-a mais a ti, criaste uma pessoa para ti completamente nova na minha cabeça, deste-lhe vida e deixaste-a destruir-me.
As tuas promessas foram em vão e ainda assim eu ouvi-as com o coração.

O meu sentimento por ti não mudou, mas tu já não és tu. Não és a voz que eu ouvia antes de dormir, não és o sorriso da minha boca, não és o peito onde eu descanso. Os teus abraços já não são refugio mas sim um campo de batalha ao qual não sei como conseguir voltar. E eu quero voltar porque sei que há um pouco de nós que posso salvar, mas eu não sei a força que me resta para isso. Não sei se tu vais voltar a ser tu e se eu consigo voltar a ser eu. A confiança de que os teus beijos não serão tiros, que o teu toque não será bombas, que o teu olhar não irá espelhar o meu sangue não existe.


E eu sou tudo o que te podia fazer ficar e continua a não chegar.


Lisbon, October 2017